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Ferreira Nita

職業
所在地
好きなもの/好きなこと
Vivo e respiro poesia. Ela faz parte de mim.
Tenho a poesia na alma e a alma em poesia ... sempre!
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12月4日

Quero hoje...

 
 

Quero hoje
Nita Ferreira
 
Quero hoje, meu amor
ganhar asas p´ra cantar-te
em quantas aves benditas
cruzam os céus do planeta
louvando ao Criador
pois nada há de mais belo
que amar, sorrir e cantar
no peito a chama, o clamor
por quem o coração clama
num cântico só de amor
 
Nita Ferreira 
 
 
 
 
 
 
12月2日

Meninos

 
 
 
 
 
  Deixa que o Espírito de Natal te envolva!
 
Meninos

Há  nos rostos
dos meninos
e nas lágrimas
que já não choram
mil gritos emudecidos
da sua alma já rouca
de esperança tão pouca
Que as mãozitas
já cansaram
de buscar p´rá sua vida
a tal bola colorida
que o poeta cantou
E os avanços do mundo
jazem estagnados no fundo
da espera desses olhinhos
tão esfomeados de paz
Enquanto ódio e dinheiro
forem estandarte primeiro
sempre os meninos esquecidos
maltratados pela vida
verão apenas cinzenta
a bola mais colorida
 
Nita Ferreira
 
 
 
 
 
12月1日

Fernando Pessoa


Fernando Pessoa


 
 

Nasceu a 13/06/1888 - Morreu a 30/11/1935 


Fernando António Nogueira Pessoa, nasceu em Lisboa, cidade onde também faleceu, na sequência de uma cólica hepática, depois de uma vida praticamente desconhecida e anónima.
Fernando Pessoa ele, mesmo é, só por si, um grande poeta do simbolismo e do modernismo, pela temática da evanescência, indefinição e insatisfação das coisas e dos seres, e pela inovação praticada por entre diversas sendas de formulação do discurso poético (sensacionismo, paulismo, interseccionismo, etc.).
Com Fernando Pessoa, a quem se deve também o enigmático volume de poemas a Mensagem, que transcende em muito a simples glorificação do passado mítico português (e sem falar da sua produção teatral, ou dos poemas ingleses), a literatura portuguesa encontra a equacionação lírica de questões fundamentais da existência humana, de timbre filosófico ou de avulsa emergência quotidiana, numa escrita fundadora dos pilares em que verdadeiramente se afirma a nossa modernidade.

 
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.


Fernando Pessoa
http://www.astormentas.com
Escritor português, nasceu a 13 de Junho de 1888, numa casa do Largo de São Carlos, em Lisboa. Aos cinco anos morreu-lhe o pai, vitimado pela tuberculose, e, no ano seguinte, o irmão, Jorge. Devido ao segundo casamento da mãe, em 1896, com o cônsul português em Durban, na África do Sul, viveu nesse país entre 1895 e 1905, aí seguindo, no Liceu de Durban, os estudos secundários.
Frequentou, durante um ano, uma escola comercial e a Durban High School e concluiu, ainda, o «Intermediate Examination in Arts», na Universidade do Cabo (onde obteve o «Queen Victoria Memorial Prize», pelo melhor ensaio de estilo inglês), com que terminou os seus estudos na África do Sul. No tempo em que viveu neste país, passou um ano de férias (entre 1901 e 1902), em Portugal, tendo residido em Lisboa e viajado para Tavira, para contactar com a família paterna, e para a Ilha Terceira, onde vivia a família materna. Já nesse tempo redigiu, sozinho, vários jornais, assinados com diferentes nomes.

De regresso definitivo a Lisboa, em 1905, frequentou, por um período breve (1906-1907), o Curso Superior de Letras. Após uma tentativa falhada de montar uma tipografia e editora, «Empresa Íbis — Tipográfica e Editora», dedicou-se, a partir de 1908, e a tempo parcial, à tradução de correspondência estrangeira de várias casas comerciais, sendo o restante tempo dedicado à escrita e ao estudo de filosofia (grega e alemã), ciências humanas e políticas, teosofia e literatura moderna, que assim acrescentava à sua formação cultural anglo-saxónica, determinante na sua personalidade.

Em 1920, ano em que a mãe, viúva, regressou a Portugal com os irmãos e em que Fernando Pessoa foi viver de novo com a família, iniciou uma relação sentimental com Ophélia Queiroz (interrompida nesse mesmo ano e retomada, para rápida e definitivamente terminar, em 1929) testemunhada pelas Cartas de Amor de Pessoa, organizadas e anotadas por David Mourão-Ferreira, e editadas em 1978. Em 1925, ocorreria a morte da mãe. Fernando Pessoa viria a morrer uma década depois, a 30 de Novembro de 1935 no Hospital de S. Luís dos Franceses, onde foi internado com uma cólica hepática, causada provavelmente pelo consumo excessivo de álcool.

Levando uma vida relativamente apagada, movimentando-se num círculo restrito de amigos que frequentavam as tertúlias intelectuais dos cafés da capital, envolveu-se nas discussões literárias e até políticas da época. Colaborou na revista A Águia, da Renascença Portuguesa, com artigos de crítica literária sobre a nova poesia portuguesa, imbuídos de um sebastianismo animado pela crença no surgimento de um grande poeta nacional, o «super-Camões» (ele próprio?). Data de 1913 a publicação de «Impressões do Crepúsculo» (poema tomado como exemplo de uma nova corrente, o paulismo, designação advinda da primeira palavra do poema) e de 1914 o aparecimento dos seus três principais heterónimos, segundo indicação do próprio Fernando Pessoa, em carta dirigida a Adolfo Casais Monteiro, sobre a origem destes.

Em 1915, com Mário de Sá-Carneiro (seu dilecto amigo, com o qual trocou intensa correspondência e cujas crises acompanhou de perto), Luís de Montalvor e outros poetas e artistas plásticos com os quais formou o grupo «Orpheu», lançou a revista Orpheu, marco do modernismo português, onde publicou, no primeiro número, Opiário e Ode Triunfal, de Campos, e O Marinheiro, de Pessoa ortónimo, e, no segundo, Chuva Oblíqua, de Fernando Pessoa ortónimo, e a Ode Marítima, de Campos. Publicou, ainda em vida, Antinous (1918), 35 Sonnets (1918), e três séries de English Poems (publicados, em 1921, na editora Olisipo, fundada por si). Em 1934, concorreu com Mensagem a um prémio da Secretaria de Propaganda Nacional, que conquistou na categoria B, devido à reduzida extensão do livro. Colaborou ainda nas revistas Exílio (1916), Portugal Futurista (1917), Contemporânea (1922-1926, de que foi co-director e onde publicou O Banqueiro Anarquista, conto de raciocínio e dedução, e o poema Mar Português), Athena (1924-1925, igualmente como co-director e onde foram publicadas algumas odes de Ricardo Reis e excertos de poemas de Alberto Caeiro) e Presença.

A sua obra, que permaneceu maioritariamente inédita, foi difundida e valorizada pelo grupo da Presença. A partir de 1943, Luís de Montalvor deu início à edição das obras completas de Fernando Pessoa, abrangendo os textos em poesia dos heterónimos e de Pessoa ortónimo. Foram ainda sucessivamente editados escritos seus sobre temas de doutrina e crítica literárias, filosofia, política e páginas íntimas. Entre estes, contam-se a organização dos volumes poéticos de Poesias (de Fernando Pessoa), Poemas Dramáticos (de Fernando Pessoa), Poemas (de Alberto Caeiro), Poesias (de Álvaro de Campos), Odes (de Ricardo Reis), Poesias Inéditas (de Fernando Pessoa, dois volumes), Quadras ao Gosto Popular (de Fernando Pessoa), e os textos de prosa de Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, Textos Filosóficos, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, Da República (1910-1935) e Ultimatum e Páginas de Sociologia Política. Do seu vasto espólio foram também retirados o Livro do Desassossego por Bernardo Soares e uma série de outros textos.

A questão humana dos heterónimos, tanto ou mais que a questão puramente literária, tem atraído as atenções gerais. Concebidos como individualidades distintas da do autor, este criou-lhes uma biografia e até um horóscopo próprios. Encontram-se ligados a alguns dos problemas centrais da sua obra: a unidade ou a pluralidade do eu, a sinceridade, a noção de realidade e a estranheza da existência. Traduzem, por assim dizer, a consciência da fragmentação do eu, reduzindo o eu «real» de Pessoa a um papel que não é maior que o de qualquer um dos seus heterónimos na existência literária do poeta. Assim questiona Pessoa o conceito metafísico de tradição romântica da unidade do sujeito e da sinceridade da expressão da sua emotividade através da linguagem. Enveredando por vários fingimentos, que aprofundam uma teia de polémicas entre si, opondo-se e completando-se, os heterónimos são a mentalização de certas emoções e perspectivas, a sua representação irónica pela inteligência. Deles se destacam três: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos.

Segundo a carta de Fernando Pessoa sobre a génese dos seus heterónimos, Caeiro (1885-1915) é o Mestre, inclusive do próprio Pessoa ortónimo. Nasceu em Lisboa e aí morreu, tuberculoso, em 1915, embora a maior parte da sua vida tenha decorrido numa quinta no Ribatejo, onde foram escritos quase todos os seus poemas, os do livro O Guardador de Rebanhos, os de O Pastor Amoroso e os Poemas Inconjuntos, sendo os do último período da sua vida escritos em Lisboa, quando se encontrava já gravemente doente (daí, segundo Pessoa, a «novidade um pouco estranha ao carácter geral da obra»). Sem profissão e pouco instruído (teria apenas a instrução primária), e, por isso, «escrevendo mal o português», órfão desde muito cedo, vivia de pequenos rendimentos, com uma tia-avó. Caeiro era, segundo ele próprio, «o único poeta da natureza», procurando viver a exterioridade das sensações e recusando a metafísica, caracterizando-se pelo seu panteísmo e sensacionismo que, de modo diferente, Álvaro de Campos e Ricardo Reis iriam assimilar.

Ricardo Reis nasceu no Porto, em 1887. Foi educado num colégio de jesuítas, recebeu uma educação clássica (latina) e estudou, por vontade própria, o helenismo (sendo Horácio o seu modelo literário). Essa formação clássica reflecte-se, quer a nível formal (odes à maneira clássica), quer a nível dos temas por si tratados e da própria linguagem utilizada, com um purismo que Pessoa considerava exagerado. Médico, não exercia, no entanto, a profissão. De convicções monárquicas, emigrou para o Brasil após a implantação da República. Pagão intelectual, lúcido e consciente, reflectia uma moral estoico-epicurista, misto de altivez resignada e gozo dos prazeres que o não comprometessem na sua liberdade interior, e que é a resposta possível do homem à dureza ou ao desprezo dos deuses e à efemeridade da vida.

Álvaro de Campos, nascido em Tavira em 1890, era um homem viajado. Depois de uma educação vulgar de liceu formou-se em engenharia mecânica e naval na Escócia e, numas férias, fez uma viagem ao Oriente, de que resultou o poema Opiário. Viveu depois em Lisboa, sem exercer a sua profissão. Dedicou-se à literatura, intervindo em polémicas literárias e políticas. É da sua autoria o Ultimatum, publicado no Portugal Futurista, manifesto contra os literatos instalados da época. Apesar dos pontos de contacto entre ambos, travou com Pessoa ortónimo uma polémica aberta. Protótipo do vanguardismo modernista, é o cantor da energia bruta e da velocidade, da vertigem agressiva do progresso, de que a Ode Triunfal é um dos melhores exemplos, evoluindo depois no sentido de um tédio, de um desencanto e de um cansaço da vida, progressivos e auto-irónicos.

De entre outros, de menor expressão, destaca-se ainda o semi-heterónimo Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros que sempre viveu sozinho em Lisboa e revela, no seu Livro do Desassossego, uma lucidez extrema na análise e na capacidade de exploração da alma humana.

Quanto a Fernando Pessoa ortónimo, segue, formalmente, os modelos da poesia tradicional portuguesa, em textos de grande suavidade rítmica e musical. Poeta introvertido e meditativo, anti-sentimental, reflecte inquietações e estranhezas que questionam os limites da realidade da sua existência e do mundo. O poema Mensagem, exaltação sebastiânica que se cruza com um certo desalento, numa expectativa ansiosa de ressurgimento nacional, revela uma faceta esotérica e mística do poeta, manifestada também nas suas incursões pelas ciências ocultas e pelo rosa-crucianismo.

Figura cimeira da literatura portuguesa e da poesia europeia do século XX, se o seu virtuosismo é, sobretudo inicialmente, uma forma de abalar a sociedade e a literatura burguesas decrépitas (nomeadamente através dos seus «ismos»: paulismo, interseccionismo, sensacionismo), ele fundamenta a resposta revolucionária à concepção romântica, sentimentalmente metafísica, da literatura. O apagamento da sua vida pessoal não obviou ao exercício activo da crítica e da polémica em vida, e sobretudo a uma grande influência na literatura portuguesa do século XX.

Existe presentemente, em Lisboa, a Casa Fernando Pessoa, instalada na última morada do autor.


Cronologia de sua vida:
13 de Junho de 1888 - Nasce em Lisboa, às 3 horas da tarde, Fernando António Nogueira Pessoa.
1896 - Parte para Durban, na África do Sul.
1905 - Regressa a Lisboa
1906 - Matricula-se no Curso Superior de Letras, em Lisboa
1907 - Abandona o curso.
1914 - Surge o mestre Alberto Caeiro. Fernando Pessoa passa a escrever poemas dos três heterónimos.
1915 - Primeiro número da Revista "Orfeu". Pessoa "mata" Alberto Caeiro.
1916 - Seu amigo Mário de Sá-Carneiro suicida-se.
1924 - Surge a Revista "Atena", dirigida por Fernando Pessoa e Ruy Vaz.
1926 - Fernando Pessoa requerer patente de invenção de um Anuário Indicador Sintético, por Nomes e Outras Classificações, Consultável em Qualquer Língua. Dirige, com seu cunhado, a Revista de Comércio e Contabilidade.
1927 - Passa a colaborar com a Revista "Presença".
1934 - Aparece "Mensagem", seu único livro publicado.
30 de Novembro de 1935 - Morre em Lisboa, aos 47 anos.

Fernando Pessoa
http://nescritas.nletras.com
Segundo o Professor Linhares Filho, as duas principais características da sua modernidade seriam: a consciência do fazer artístico e a prevalência do apolíneo sobre o dionisíaco, no elaborar-se poético.
Sensacionalista, o ortónimo nos mostra como sentir a paisagem, pois, para ele, todo objectivo é uma sensação nossa, toda arte é conversão da sensação em objecto, toda arte é conversão da sensação em sensação.
O próprio Pessoa apresenta cinco condições ou qualidades para entender os símbolos do ortónimo: a simpatia, a intuição, a inteligência, a compreensão e a graça. Depois conclui que: 
"Todo estado de alma é uma paisagem.
Uma tristeza é um lago morto dentro de nós.
Assim, tendo nós, ao mesmo tempo, consciência do exterior
e do nosso espírito, e sendo nosso espírito uma paisagem,
temos ao mesmo tempo consciência de duas paisagens."
Como se vê, um espírito tão rico e até paradoxal como o de Pessoa não podia se resumir numa só personalidade. Daí o surgimento de muitos heterónimos, principalmente o de Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Álvaro de Campos.
Morreu Fernando Pessoa – Grande poeta de Portugal
http://deltagata.no.sapo.pt
A notícia necrológica do «Diário de Notícias» com as palavras proferidas por Luís de Montalvor Fernando Pessoa, o poeta extraordinário da «Mensagem», poema de exaltação nacionalista, dos mais belos que se tem escrito, foi ontem a enterrar.


Surpreendeu-o a morte, num leito cristão do Hospital de S. Luís, no sábado à noite.


A sua passagem pela vida foi um rastro de luz e de originalidade. Em 1915, com Luís de Montalvor, Mário de Sá-Carneiro e Ronald de Carvalho – estes dois já mortos para a vida – lançou o «Orpheu», que tão profunda influência exerceu no nosso meio literário, e a sua personalidade foi-se depois afirmando mais e mais. Do fundo da sua «tertúlia», a uma mesa do Martinho da Arcada, Fernando Pessoa era sempre o mais novo de todos os novos que em volta dele se sentavam. Desconcertante, profundamente original e estruturalmente verdadeiro, a sua personalidade era vária como vário o rumo da sua vida. Ele não tinha uma actividade «una», uma actividade dirigida: tinha múltiplas actividades.
Na poesia não era só ele: Fernando Pessoa; ele era também Álvaro de Campos e Alberto Caeiro e Ricardo Reis. E era-os profundamente, como só ele sabia ser. E na poesia como na vida. E na vida como na arte.
Tudo nele era inesperado. Desde a sua vida, até aos seus poemas, até à sua morte.

Inesperadamente, como se se anunciasse um livro ou uma nova corrente literária por ele idealizada e vitalizada, correu a notícia da sua morte. Um grupo de amigos conduziu-o ontem a um jazigo banal do cemitério dos Prazeres. Lá ficou, vizinho de outro grande poeta que ele muito admirava, junto do seu querido Cesário, desse Cesário que ele não conhecera e que, como ninguém, compreendia.
Se Fernando Pessoa morreu, se a matéria abandonou o corpo, o seu espírito não abandonará nunca o coração e o cérebro dos que o amavam e admiravam. Entre eles fica a sua obra e a sua alma. A eles compete velar para que o nome daquele que foi grande não caia na vala comum do esquecimento.

Tinha 47 anos o poeta que ontem foi a enterrar. Quarenta e sete anos e um grande amor à Vida, à Arte e à Beleza. Quando novo, acasos do Destino, a que ele obedecia inteiramente – Fernando Pessoa teósofo, cristão, que conhecia todas as seitas religiosas e as negativistas, pagão como só os artistas sabem ser, Fernando Pessoa obedecia cegamente ao Destino – levaram-no para a África do Sul. E na Universidade do Cabo cursou o inglês. E de tal maneira estudou a língua que Shakespeare e Milton imortalizaram, que, anos passados, apresentava aos «cercles» literários da serena Albion quatro livros de poemas - «English Poems», I, II, III, IV; «Antinous» e «35 Sonnets». E num concurso de língua inglesa alcançou o primeiro prémio.

Depois, uma vez em Portugal, a sua actividade literária aumentou. É de então que data a sua colaboração na «Águia», onde o seu messianismo metafísico, num célebre e elevado estudo, anunciou o aparecimento do Super-Camões da literatura portuguesa.

1915. «Orpheu». Movimento intenso de renovação. Entretanto, colabora no «Centauro», «Exílio», «Portugal Futurista», «Contemporânea». Começa a ser amado e compreendido.

1924. Funda com Rui Vaz a revista «Athena». Depois, de então para cá, a sua actividade multiplica-se. Colabora em revistas modernistas, como «Presença», «Momento» e, há um mês ainda, no «Sudoeste», que Almada Negreiros fundou com notável desassombro. Traduziu Shakespeare e Edgar Poe. Estas são, em linhas muito esquemáticas e gerais, as obras que definem a sua personalidade. Quem o quiser compreender folheie a sua obra vasta e dispersa. Começará a amá-lo.

Da capela do cemitério dos Prazeres, para jazigo de família, cerca das onze horas de ontem, partiu o corpo do grande poeta. Alguns amigos de sempre acompanharam-no. Foram eles, pelo «Orpheu», Luís de Montalvor, António Ferro, Raul Leal, Alfredo Guisado e Almada Negreiros; pela «Presença», João Gaspar Simões; pelo «Momento», Artur Augusto e José Augusto; e Ferreira Gomes, Diogo de Macedo, Dr. Celestino Soares, António Botto, Castelo de Morais, João de Sousa Fonseca, Dr. Jaime Neves, António Pedro, Albino Lapa, Silva Tavares, Vitoriano Braga, Augusto de Santa-Rita, Luís Pedro, Luís Moita, Manuel Serras, Dr. Boto de Carvalho, Rogério Perez, Celestino Silva, Telino Felgueiras, Nogueira de Brito, Dante Silva Ramos, Carlos Queiroz, Mário de Barros, Dr. Rui Santos, Marques Matias, Gil Vaz, Luís Teixeira e poucos mais.

O sr. capitão Caetano Dias, cunhado do poeta, representava a família.
Em frente do jazigo que Fernando Pessoa passa a habitar, Luís de Montalvor, seu companheiro de 24 anos de vida literária, proferiu simples e emotivas palavras em nome dos sobreviventes do grupo do «Orpheu».

E disse:
«Duas palavras sobre o trânsito mortal de Fernando Pessoa.
Para ele chegam duas palavras, ou nenhumas. Preferível fora o silêncio, o silêncio que já o envolve a ele e a nós, que é da estatura do seu espírito.
Com ele só está bem o que está perto de Deus. Mas também não deviam, nem podiam, os que foram pares com ele no convívio da sua Beleza, vê-lo descer à terra, ou antes, subir, ganhar as linhas definitivas da Eternidade, sem enunciar o protesto calmo, mas humano, da raiva que nos fica da sua partida.
«Não podiam os seus companheiros de «Orpheu», antes os seus irmãos, do mesmo sangue ideal da sua Beleza, não podiam, repito, deixá-lo aqui, na terra extrema, sem ao menos terem desfolhado, sobre a sua morte gentil, o lírio branco do seu silêncio e da sua dor.

«Lastimamos o homem, que a morte nos rouba, e com ele a perda do prodígio do seu convívio e da graça da sua presença humana. Somente o homem, é duro dizê-lo, pois que ao seu espírito e ao seu poder criador, a esses deu-lhes o Destino uma estranha formosura, que não morre.
O resto é com o génio de Fernando Pessoa.»

A notícia tal como foi publicada no Diário de Notícias, de 3 de Dezembro de 1935


Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

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11月17日

Na noite

 
 
 

 

Na noite
Nita Ferreira
 

Na noite eu procurei a lua cheia
E o esplendor prateado do luar
Vagueando no escuro sem candeia
Na noite só o breu pude encontrar

Pois da lua mortiça de tristeza
Outrora extasiante de beleza
Vi correr lágrimas, desolação
Toldando de cinzento a emoção

Mas laivos de uma luz quase finda
Lampejos de fulgor eram ainda
Mensageiros dum brilho sem igual

Lembrando ao meu peito fatigado
Que o sol me espera enamorado
Brilhante, incandescente, divinal
 

 
 
11月14日

Imersão

 

Imersão
Nita Ferreira

Hoje as tuas mãos imergiram mais fundo
No mar de mim além de carne e pele.
E é meu todo o prazer do mundo
Macia lã, mais seda que burel.

Foram ondas, deleites, foram sismos
Por líbidas colinas estivais.
Horas por desoras, cataclismos
Em dueto, sonatas nupciais.

Mesmo se a sombra cinza 'inda perdura
Se agarra e se prende à minha cintura,
Sou ave de fogo em voo planado.

E o roçagar da tua alma na minha,
O teu colo, peito meu e escrivaninha
São meu sopro energizante e renovado

Nita Ferreira 

 

Tatuagem

 

 

 

Tatuagem
Nita Ferreira

Alma que tocada transparente e nua
Já sem teias nem peias de verdade
Como a luz do sol no brilho da lua
Cegos sem candeia presos na vontade

Rasgadas todas as flores de papel
E tingido o pranto num novo luar
É mais apurado o tenir do cinzel
Na onda que esculpe os seios do mar

E não há veredas de mendicidade
Só as tatuagens p'ra eternidade
Da alma que só amar sabe e quer

Nem barco a remos, nau ou arrastão
Ilude, volúvel, o amor que é Verão
Na sensibilidade profunda do ser


Nita Ferreira 

 
 
 
11月9日

Terraço de alma

 

 
 
Terraço de alma
 
Passando o sol pelo terraço da alma
A aquecer cada claustro sombrio
Há um clamor de tão dolente calma
Beijos beijando as margens de um rio
 
Ai beijos que ainda maiores que a boca
Incendiando fogueiras, vulcões
No amor paixão em bebedeira louca
Gotas de amor chovem aluviões
 
Esdrúxula é a força do sentir
Num tropel de estrelas a refulgir
Onde serpenteia a vida apressada
 
Nesse terraço onde a alma se estende
Nada se compra, se rouba ou se vende
Tudo é terra a palmo conquistada
 
Nita Ferreira  
 
 
 
 
 
 
11月2日

Feitiço

meninalindaNi.png picture by NitaFerreira
 
Feitiço
Quão poderoso feitiço
(só agora dou por isso)
me possuiu as entranhas
quando teus braços e manhas 
me envolveram um dia
Não podia adivinhar
que eram cordas a amarrar
minh' alma desta maneira
e a fazer-me prisioneira
desta imutável magia
 
Nita Ferreira
10月31日

Estão as bruxas a chegar

Estão as bruxas a chegar
 
Estão as bruxas a chegar
Rodopiam pelo ar
Voam com agilidade
Então é preciso usar
A vassoura e voar
Sobre o Jardim da Amizade
Calçar boa sapatilha
Usar chapéu e mantilha
E acelerar na lambreta
Entre mortos e defuntos
Nós vivos voando juntos
Antes que soe a trombeta
E dar boa gargalhada
Varrer da noite gelada
Fantasmas e almas apenadas
Redondinha e sem defeito
Ou magricela sem jeito
Zoam bruxas pelas nortadas
E calçando o sapatinho
Muito bem apertadinho
Correndo pra o caldeirão
Vão mostrar a toda a gente
Bruxa do bem é diferente
Porque tem bom coração!
 
Nita Ferreira
Dia das Bruxas

D e noite ou em pleno dia
I ndo pelos ares poluídos
A nda viva a bruxaria
 
D e vassoura ou foguetão
A bóbora ou caldeirão
S obrevoam toda a terra
 
B ruxas, bruxos e adivinhos
R odam bola de cristal
U m remédio pr'a todo o mal
X anax? Não é  preciso
A nda, dou-te o paraíso
S ó por dinheiro... que tal?
 
Nita Ferreira
 
10月27日

É no silêncio

 

 

É no silêncio
Nita Ferreira

É no silêncio
que os meus sonhos voam alto
e ardem vorazes
em chamas de azul
É no silêncio
que a lua me acaricia
me envolve em doce magia
me sussurra mil segredos
e me desabrocha em poema
É no silêncio
que o meu sentir se agiganta
e a emoção se alevanta
indefesa ao meu querer
É no silêncio
que a lua libidinosa
mais as estrelas inquietas
ardilam cumplicidades
e no firmamento que é nosso
clareiam campos em flor
e almas ...
...ofegantes de ternura
em florestas de amor
 
É no silêncio…

Nita Ferreira

v

 
 
10月25日

AlmaPoesiaPrincesa

Espaço Aberto
aos Poetas e Autores de AlmaPoesia

http://almapoesiaprincesa.ning.com/

 

10月24日

Sempre

 

 

 

Sempre

Sempre renasço de mim
voo sobre as cinzas
salto além dos escombros
argamasso as ruínas
e elevo a bandeira
bem acima dos ombros.
De destroços construo
o castelo da minha vontade
que algumas vezes sinto
praça de sol, labirinto
solar de concertos
flores e braços abertos
e forte inexpugnável.
Mas sou somente eu
estigma e gineceu
mulher frágil e doce
com a força do sempre
nas veias a fervilhar
seiva quente a correr
e sol de vida e amor
a derramar-se do olhar...

Nita Ferreira

 
 
 
 
 

 

Sei-te a alma de cor

 

 

Sei-te a alma de cor

Sei-te a alma de cor
No olhar, espelho que brilha
Em cada promessa de amor
E no coração que trilha
Meu corpo e alma em furor

Sei-te a alma de cor
Em cada um dos sentidos
Em cada sol de Primavera
E nos passos destemidos
Que não são farsa nem espera

Sei-te a alma de cor
E em cada erva daninha
Tu vida e renovação
E eu singela florzinha
Florescida em fruto e pão

Sei-te a alma de cor
No calor rubro do fogo
No crepitar da fogueira
Sei-te alma de cor
Na minha... desta maneira

Nita Ferreira

 
 
 
  
 
 
10月4日

Sou o que sou

 

 

Sou o que sou

 

Sou o que sou
Sou o que dou
Dar é meu seio
Abraçar meu meio
Sou estrela
Constelação
Serenidade vulcão
Assim...
Antítese de mim
Só de mim
Sentimento momento
Eternidade no tempo
Seara a cultivar
Lua nova a derramar
Lua cheia a minguar
Recriação só de vida
E viagem perseguida
Conseguida
Doce canção de embalar
Antítese e síntese
Na conjugação de amar

 

Nita Ferreira

 

 

10月1日

Música em mim

1 de Outubro - Dia Mundial da Música

 

1 de Outubro - Dia Mundial da Música 

Música em mim
Nita Ferreira
 
Perdura ainda em mim
a música dos teus olhos
e o som das tuas mãos
notas de amor emoção
por veredas em melodia
caminhos de ti em mim
p´la rota do coração
Perdura ainda em mim
habita-me a alma e o corpo
invade e liberta o meu peito
na ânsia e pleno direito
pura química a pulsar
na escalada da paixão
é a doce essência de nós
Celestial melodia
ecos de almas em poesia
que a minha alma é piano
em concerto p´rá  tua voz

 
Nita Ferreira

 

Foi num dia de Setembro

 

Foi num dia de Setembro
Nita Ferreira

Foi num dia de Setembro
esse que ainda lembro
que sol mais forte doirou

Tallvez para me alegrar
minhas lágrimas secar
por algo que então findou

Cor de fogo mais doirado
parecia disfarçado
no incandescente rubor

E a minha pele tocava
pálida e a afagava
numa carícia de amor

E quando caía lento
o crepúsculo pardacento
tristonho, bem devagar

Já meu coração partia
peregrino em romaria
p'ra calmaria do mar

Despontava então Setembro
e pela dor que me lembro
sei que o sol forte doirou

Ele queria suavizar
a ferida que a sangrar
na alma se enraizou

Nita Ferreira

Fue un dia de Septiembre
Nita Ferreira

Fue un día de Septiembre
ese que aún recuerdo
el sol fuerte calentó

Quizás para alegrarme
y mis lágrimas secar
por algo que terminó

Color de fuego dorado
más parecia disfrazado
de su candente sonrojo

Entonces mi piel tocaba
pálida... y la halagaba
en una caricia de amor

Y cuando  caía lento
el crepúsculo placentero
tristongo y muy despacio

Ya mi corazón partía
peregrino en romería
para la calma del mar

Y repuntaba Septiembre
por el dolor que recuerdo
el sol más fuerte doró

Él quería suavizar
la herida que al sangrar
en el alma se enraizó

Nita Ferreira

 

 

 

Vim trazer-te flores, amigo!

 

        

                               FloresAmarelas.png picture by folhinha

 

Vim trazer-te flores, amigo!

Vim trazer-te flores, amigo
Porque o és de verdade
E o teu peito é abrigo
Da recta autenticidade
 
Nunca será virtual
A alma que contra o vento
Distingue o bem do mal
Sem temer o virulento
 
Dentro em teu peito não mora
Conveniência ou cobardia
A justiça é tua hora
A coragem tua poesia
 
Porque a luz é o teu caminho
E o respeito é o teu lema
Tuas vestes são de linho
E a lama não é o teu tema
 
Tens a minha admiração
O meu respeito jucundo
E a minha convicção
Contigo há mais luz no mundo
 
Nita Ferreira   

9月18日

Dor de Outono

 

Dor de Outono

Que a beleza do Outono
nas folhas ao abandono
leve de mim esta dor...
e deixe minh' alma branca
de alvura que entranha e estanca
perene em mim a habitar
ainda que o dissabor
meu rosto em pálida cor
venha este Outono pintar

Nita Ferreira 

 

 
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