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12月4日
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Quero hoje
Nita Ferreira
Quero hoje, meu amor ganhar asas p´ra cantar-te em quantas aves benditas cruzam os céus do planeta louvando ao Criador pois nada há de mais belo que amar, sorrir e cantar no peito a chama, o clamor por quem o coração clama num cântico só de amor
Nita Ferreira
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| | | | | | | | | | | 12月2日
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Deixa que o Espírito de Natal te envolva!
Meninos
Há nos rostos dos meninos e nas lágrimas que já não choram mil gritos emudecidos da sua alma já rouca de esperança tão pouca
Que as mãozitas já cansaram de buscar p´rá sua vida a tal bola colorida que o poeta cantou
E os avanços do mundo jazem estagnados no fundo da espera desses olhinhos tão esfomeados de paz
Enquanto ódio e dinheiro forem estandarte primeiro sempre os meninos esquecidos maltratados pela vida verão apenas cinzenta a bola mais colorida
Nita Ferreira
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12月1日
Nasceu a 13/06/1888 - Morreu a 30/11/1935
Fernando António Nogueira Pessoa, nasceu em Lisboa, cidade onde também faleceu, na sequência de uma cólica hepática, depois de uma vida praticamente desconhecida e anónima. Fernando Pessoa ele, mesmo é, só por si, um grande poeta do simbolismo e do modernismo, pela temática da evanescência, indefinição e insatisfação das coisas e dos seres, e pela inovação praticada por entre diversas sendas de formulação do discurso poético (sensacionismo, paulismo, interseccionismo, etc.). Com Fernando Pessoa, a quem se deve também o enigmático volume de poemas a Mensagem, que transcende em muito a simples glorificação do passado mítico português (e sem falar da sua produção teatral, ou dos poemas ingleses), a literatura portuguesa encontra a equacionação lírica de questões fundamentais da existência humana, de timbre filosófico ou de avulsa emergência quotidiana, numa escrita fundadora dos pilares em que verdadeiramente se afirma a nossa modernidade.
Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu.
Fernando Pessoa http://www.astormentas.com Escritor português, nasceu a 13 de Junho de 1888, numa casa do Largo de São Carlos, em Lisboa. Aos cinco anos morreu-lhe o pai, vitimado pela tuberculose, e, no ano seguinte, o irmão, Jorge. Devido ao segundo casamento da mãe, em 1896, com o cônsul português em Durban, na África do Sul, viveu nesse país entre 1895 e 1905, aí seguindo, no Liceu de Durban, os estudos secundários. Frequentou, durante um ano, uma escola comercial e a Durban High School e concluiu, ainda, o «Intermediate Examination in Arts», na Universidade do Cabo (onde obteve o «Queen Victoria Memorial Prize», pelo melhor ensaio de estilo inglês), com que terminou os seus estudos na África do Sul. No tempo em que viveu neste país, passou um ano de férias (entre 1901 e 1902), em Portugal, tendo residido em Lisboa e viajado para Tavira, para contactar com a família paterna, e para a Ilha Terceira, onde vivia a família materna. Já nesse tempo redigiu, sozinho, vários jornais, assinados com diferentes nomes. De regresso definitivo a Lisboa, em 1905, frequentou, por um período breve (1906-1907), o Curso Superior de Letras. Após uma tentativa falhada de montar uma tipografia e editora, «Empresa Íbis — Tipográfica e Editora», dedicou-se, a partir de 1908, e a tempo parcial, à tradução de correspondência estrangeira de várias casas comerciais, sendo o restante tempo dedicado à escrita e ao estudo de filosofia (grega e alemã), ciências humanas e políticas, teosofia e literatura moderna, que assim acrescentava à sua formação cultural anglo-saxónica, determinante na sua personalidade. Em 1920, ano em que a mãe, viúva, regressou a Portugal com os irmãos e em que Fernando Pessoa foi viver de novo com a família, iniciou uma relação sentimental com Ophélia Queiroz (interrompida nesse mesmo ano e retomada, para rápida e definitivamente terminar, em 1929) testemunhada pelas Cartas de Amor de Pessoa, organizadas e anotadas por David Mourão-Ferreira, e editadas em 1978. Em 1925, ocorreria a morte da mãe. Fernando Pessoa viria a morrer uma década depois, a 30 de Novembro de 1935 no Hospital de S. Luís dos Franceses, onde foi internado com uma cólica hepática, causada provavelmente pelo consumo excessivo de álcool. Levando uma vida relativamente apagada, movimentando-se num círculo restrito de amigos que frequentavam as tertúlias intelectuais dos cafés da capital, envolveu-se nas discussões literárias e até políticas da época. Colaborou na revista A Águia, da Renascença Portuguesa, com artigos de crítica literária sobre a nova poesia portuguesa, imbuídos de um sebastianismo animado pela crença no surgimento de um grande poeta nacional, o «super-Camões» (ele próprio?). Data de 1913 a publicação de «Impressões do Crepúsculo» (poema tomado como exemplo de uma nova corrente, o paulismo, designação advinda da primeira palavra do poema) e de 1914 o aparecimento dos seus três principais heterónimos, segundo indicação do próprio Fernando Pessoa, em carta dirigida a Adolfo Casais Monteiro, sobre a origem destes. Em 1915, com Mário de Sá-Carneiro (seu dilecto amigo, com o qual trocou intensa correspondência e cujas crises acompanhou de perto), Luís de Montalvor e outros poetas e artistas plásticos com os quais formou o grupo «Orpheu», lançou a revista Orpheu, marco do modernismo português, onde publicou, no primeiro número, Opiário e Ode Triunfal, de Campos, e O Marinheiro, de Pessoa ortónimo, e, no segundo, Chuva Oblíqua, de Fernando Pessoa ortónimo, e a Ode Marítima, de Campos. Publicou, ainda em vida, Antinous (1918), 35 Sonnets (1918), e três séries de English Poems (publicados, em 1921, na editora Olisipo, fundada por si). Em 1934, concorreu com Mensagem a um prémio da Secretaria de Propaganda Nacional, que conquistou na categoria B, devido à reduzida extensão do livro. Colaborou ainda nas revistas Exílio (1916), Portugal Futurista (1917), Contemporânea (1922-1926, de que foi co-director e onde publicou O Banqueiro Anarquista, conto de raciocínio e dedução, e o poema Mar Português), Athena (1924-1925, igualmente como co-director e onde foram publicadas algumas odes de Ricardo Reis e excertos de poemas de Alberto Caeiro) e Presença. A sua obra, que permaneceu maioritariamente inédita, foi difundida e valorizada pelo grupo da Presença. A partir de 1943, Luís de Montalvor deu início à edição das obras completas de Fernando Pessoa, abrangendo os textos em poesia dos heterónimos e de Pessoa ortónimo. Foram ainda sucessivamente editados escritos seus sobre temas de doutrina e crítica literárias, filosofia, política e páginas íntimas. Entre estes, contam-se a organização dos volumes poéticos de Poesias (de Fernando Pessoa), Poemas Dramáticos (de Fernando Pessoa), Poemas (de Alberto Caeiro), Poesias (de Álvaro de Campos), Odes (de Ricardo Reis), Poesias Inéditas (de Fernando Pessoa, dois volumes), Quadras ao Gosto Popular (de Fernando Pessoa), e os textos de prosa de Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, Textos Filosóficos, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, Da República (1910-1935) e Ultimatum e Páginas de Sociologia Política. Do seu vasto espólio foram também retirados o Livro do Desassossego por Bernardo Soares e uma série de outros textos. A questão humana dos heterónimos, tanto ou mais que a questão puramente literária, tem atraído as atenções gerais. Concebidos como individualidades distintas da do autor, este criou-lhes uma biografia e até um horóscopo próprios. Encontram-se ligados a alguns dos problemas centrais da sua obra: a unidade ou a pluralidade do eu, a sinceridade, a noção de realidade e a estranheza da existência. Traduzem, por assim dizer, a consciência da fragmentação do eu, reduzindo o eu «real» de Pessoa a um papel que não é maior que o de qualquer um dos seus heterónimos na existência literária do poeta. Assim questiona Pessoa o conceito metafísico de tradição romântica da unidade do sujeito e da sinceridade da expressão da sua emotividade através da linguagem. Enveredando por vários fingimentos, que aprofundam uma teia de polémicas entre si, opondo-se e completando-se, os heterónimos são a mentalização de certas emoções e perspectivas, a sua representação irónica pela inteligência. Deles se destacam três: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Segundo a carta de Fernando Pessoa sobre a génese dos seus heterónimos, Caeiro (1885-1915) é o Mestre, inclusive do próprio Pessoa ortónimo. Nasceu em Lisboa e aí morreu, tuberculoso, em 1915, embora a maior parte da sua vida tenha decorrido numa quinta no Ribatejo, onde foram escritos quase todos os seus poemas, os do livro O Guardador de Rebanhos, os de O Pastor Amoroso e os Poemas Inconjuntos, sendo os do último período da sua vida escritos em Lisboa, quando se encontrava já gravemente doente (daí, segundo Pessoa, a «novidade um pouco estranha ao carácter geral da obra»). Sem profissão e pouco instruído (teria apenas a instrução primária), e, por isso, «escrevendo mal o português», órfão desde muito cedo, vivia de pequenos rendimentos, com uma tia-avó. Caeiro era, segundo ele próprio, «o único poeta da natureza», procurando viver a exterioridade das sensações e recusando a metafísica, caracterizando-se pelo seu panteísmo e sensacionismo que, de modo diferente, Álvaro de Campos e Ricardo Reis iriam assimilar. Ricardo Reis nasceu no Porto, em 1887. Foi educado num colégio de jesuítas, recebeu uma educação clássica (latina) e estudou, por vontade própria, o helenismo (sendo Horácio o seu modelo literário). Essa formação clássica reflecte-se, quer a nível formal (odes à maneira clássica), quer a nível dos temas por si tratados e da própria linguagem utilizada, com um purismo que Pessoa considerava exagerado. Médico, não exercia, no entanto, a profissão. De convicções monárquicas, emigrou para o Brasil após a implantação da República. Pagão intelectual, lúcido e consciente, reflectia uma moral estoico-epicurista, misto de altivez resignada e gozo dos prazeres que o não comprometessem na sua liberdade interior, e que é a resposta possível do homem à dureza ou ao desprezo dos deuses e à efemeridade da vida. Álvaro de Campos, nascido em Tavira em 1890, era um homem viajado. Depois de uma educação vulgar de liceu formou-se em engenharia mecânica e naval na Escócia e, numas férias, fez uma viagem ao Oriente, de que resultou o poema Opiário. Viveu depois em Lisboa, sem exercer a sua profissão. Dedicou-se à literatura, intervindo em polémicas literárias e políticas. É da sua autoria o Ultimatum, publicado no Portugal Futurista, manifesto contra os literatos instalados da época. Apesar dos pontos de contacto entre ambos, travou com Pessoa ortónimo uma polémica aberta. Protótipo do vanguardismo modernista, é o cantor da energia bruta e da velocidade, da vertigem agressiva do progresso, de que a Ode Triunfal é um dos melhores exemplos, evoluindo depois no sentido de um tédio, de um desencanto e de um cansaço da vida, progressivos e auto-irónicos. De entre outros, de menor expressão, destaca-se ainda o semi-heterónimo Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros que sempre viveu sozinho em Lisboa e revela, no seu Livro do Desassossego, uma lucidez extrema na análise e na capacidade de exploração da alma humana. Quanto a Fernando Pessoa ortónimo, segue, formalmente, os modelos da poesia tradicional portuguesa, em textos de grande suavidade rítmica e musical. Poeta introvertido e meditativo, anti-sentimental, reflecte inquietações e estranhezas que questionam os limites da realidade da sua existência e do mundo. O poema Mensagem, exaltação sebastiânica que se cruza com um certo desalento, numa expectativa ansiosa de ressurgimento nacional, revela uma faceta esotérica e mística do poeta, manifestada também nas suas incursões pelas ciências ocultas e pelo rosa-crucianismo. Figura cimeira da literatura portuguesa e da poesia europeia do século XX, se o seu virtuosismo é, sobretudo inicialmente, uma forma de abalar a sociedade e a literatura burguesas decrépitas (nomeadamente através dos seus «ismos»: paulismo, interseccionismo, sensacionismo), ele fundamenta a resposta revolucionária à concepção romântica, sentimentalmente metafísica, da literatura. O apagamento da sua vida pessoal não obviou ao exercício activo da crítica e da polémica em vida, e sobretudo a uma grande influência na literatura portuguesa do século XX. Existe presentemente, em Lisboa, a Casa Fernando Pessoa, instalada na última morada do autor.
Cronologia de sua vida: 13 de Junho de 1888 - Nasce em Lisboa, às 3 horas da tarde, Fernando António Nogueira Pessoa. 1896 - Parte para Durban, na África do Sul. 1905 - Regressa a Lisboa 1906 - Matricula-se no Curso Superior de Letras, em Lisboa 1907 - Abandona o curso. 1914 - Surge o mestre Alberto Caeiro. Fernando Pessoa passa a escrever poemas dos três heterónimos. 1915 - Primeiro número da Revista "Orfeu". Pessoa "mata" Alberto Caeiro. 1916 - Seu amigo Mário de Sá-Carneiro suicida-se. 1924 - Surge a Revista "Atena", dirigida por Fernando Pessoa e Ruy Vaz. 1926 - Fernando Pessoa requerer patente de invenção de um Anuário Indicador Sintético, por Nomes e Outras Classificações, Consultável em Qualquer Língua. Dirige, com seu cunhado, a Revista de Comércio e Contabilidade. 1927 - Passa a colaborar com a Revista "Presença". 1934 - Aparece "Mensagem", seu único livro publicado. 30 de Novembro de 1935 - Morre em Lisboa, aos 47 anos.
Fernando Pessoa http://nescritas.nletras.com Segundo o Professor Linhares Filho, as duas principais características da sua modernidade seriam: a consciência do fazer artístico e a prevalência do apolíneo sobre o dionisíaco, no elaborar-se poético. Sensacionalista, o ortónimo nos mostra como sentir a paisagem, pois, para ele, todo objectivo é uma sensação nossa, toda arte é conversão da sensação em objecto, toda arte é conversão da sensação em sensação. O próprio Pessoa apresenta cinco condições ou qualidades para entender os símbolos do ortónimo: a simpatia, a intuição, a inteligência, a compreensão e a graça. Depois conclui que: "Todo estado de alma é uma paisagem. Uma tristeza é um lago morto dentro de nós. Assim, tendo nós, ao mesmo tempo, consciência do exterior e do nosso espírito, e sendo nosso espírito uma paisagem, temos ao mesmo tempo consciência de duas paisagens." Como se vê, um espírito tão rico e até paradoxal como o de Pessoa não podia se resumir numa só personalidade. Daí o surgimento de muitos heterónimos, principalmente o de Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Álvaro de Campos. Morreu Fernando Pessoa – Grande poeta de Portugal http://deltagata.no.sapo.pt A notícia necrológica do «Diário de Notícias» com as palavras proferidas por Luís de Montalvor Fernando Pessoa, o poeta extraordinário da «Mensagem», poema de exaltação nacionalista, dos mais belos que se tem escrito, foi ontem a enterrar.
Surpreendeu-o a morte, num leito cristão do Hospital de S. Luís, no sábado à noite.
A sua passagem pela vida foi um rastro de luz e de originalidade. Em 1915, com Luís de Montalvor, Mário de Sá-Carneiro e Ronald de Carvalho – estes dois já mortos para a vida – lançou o «Orpheu», que tão profunda influência exerceu no nosso meio literário, e a sua personalidade foi-se depois afirmando mais e mais. Do fundo da sua «tertúlia», a uma mesa do Martinho da Arcada, Fernando Pessoa era sempre o mais novo de todos os novos que em volta dele se sentavam. Desconcertante, profundamente original e estruturalmente verdadeiro, a sua personalidade era vária como vário o rumo da sua vida. Ele não tinha uma actividade «una», uma actividade dirigida: tinha múltiplas actividades. Na poesia não era só ele: Fernando Pessoa; ele era também Álvaro de Campos e Alberto Caeiro e Ricardo Reis. E era-os profundamente, como só ele sabia ser. E na poesia como na vida. E na vida como na arte. Tudo nele era inesperado. Desde a sua vida, até aos seus poemas, até à sua morte. Inesperadamente, como se se anunciasse um livro ou uma nova corrente literária por ele idealizada e vitalizada, correu a notícia da sua morte. Um grupo de amigos conduziu-o ontem a um jazigo banal do cemitério dos Prazeres. Lá ficou, vizinho de outro grande poeta que ele muito admirava, junto do seu querido Cesário, desse Cesário que ele não conhecera e que, como ninguém, compreendia. Se Fernando Pessoa morreu, se a matéria abandonou o corpo, o seu espírito não abandonará nunca o coração e o cérebro dos que o amavam e admiravam. Entre eles fica a sua obra e a sua alma. A eles compete velar para que o nome daquele que foi grande não caia na vala comum do esquecimento. Tinha 47 anos o poeta que ontem foi a enterrar. Quarenta e sete anos e um grande amor à Vida, à Arte e à Beleza. Quando novo, acasos do Destino, a que ele obedecia inteiramente – Fernando Pessoa teósofo, cristão, que conhecia todas as seitas religiosas e as negativistas, pagão como só os artistas sabem ser, Fernando Pessoa obedecia cegamente ao Destino – levaram-no para a África do Sul. E na Universidade do Cabo cursou o inglês. E de tal maneira estudou a língua que Shakespeare e Milton imortalizaram, que, anos passados, apresentava aos «cercles» literários da serena Albion quatro livros de poemas - «English Poems», I, II, III, IV; «Antinous» e «35 Sonnets». E num concurso de língua inglesa alcançou o primeiro prémio. Depois, uma vez em Portugal, a sua actividade literária aumentou. É de então que data a sua colaboração na «Águia», onde o seu messianismo metafísico, num célebre e elevado estudo, anunciou o aparecimento do Super-Camões da literatura portuguesa. 1915. «Orpheu». Movimento intenso de renovação. Entretanto, colabora no «Centauro», «Exílio», «Portugal Futurista», «Contemporânea». Começa a ser amado e compreendido. 1924. Funda com Rui Vaz a revista «Athena». Depois, de então para cá, a sua actividade multiplica-se. Colabora em revistas modernistas, como «Presença», «Momento» e, há um mês ainda, no «Sudoeste», que Almada Negreiros fundou com notável desassombro. Traduziu Shakespeare e Edgar Poe. Estas são, em linhas muito esquemáticas e gerais, as obras que definem a sua personalidade. Quem o quiser compreender folheie a sua obra vasta e dispersa. Começará a amá-lo. Da capela do cemitério dos Prazeres, para jazigo de família, cerca das onze horas de ontem, partiu o corpo do grande poeta. Alguns amigos de sempre acompanharam-no. Foram eles, pelo «Orpheu», Luís de Montalvor, António Ferro, Raul Leal, Alfredo Guisado e Almada Negreiros; pela «Presença», João Gaspar Simões; pelo «Momento», Artur Augusto e José Augusto; e Ferreira Gomes, Diogo de Macedo, Dr. Celestino Soares, António Botto, Castelo de Morais, João de Sousa Fonseca, Dr. Jaime Neves, António Pedro, Albino Lapa, Silva Tavares, Vitoriano Braga, Augusto de Santa-Rita, Luís Pedro, Luís Moita, Manuel Serras, Dr. Boto de Carvalho, Rogério Perez, Celestino Silva, Telino Felgueiras, Nogueira de Brito, Dante Silva Ramos, Carlos Queiroz, Mário de Barros, Dr. Rui Santos, Marques Matias, Gil Vaz, Luís Teixeira e poucos mais. O sr. capitão Caetano Dias, cunhado do poeta, representava a família. Em frente do jazigo que Fernando Pessoa passa a habitar, Luís de Montalvor, seu companheiro de 24 anos de vida literária, proferiu simples e emotivas palavras em nome dos sobreviventes do grupo do «Orpheu». E disse: «Duas palavras sobre o trânsito mortal de Fernando Pessoa. Para ele chegam duas palavras, ou nenhumas. Preferível fora o silêncio, o silêncio que já o envolve a ele e a nós, que é da estatura do seu espírito. Com ele só está bem o que está perto de Deus. Mas também não deviam, nem podiam, os que foram pares com ele no convívio da sua Beleza, vê-lo descer à terra, ou antes, subir, ganhar as linhas definitivas da Eternidade, sem enunciar o protesto calmo, mas humano, da raiva que nos fica da sua partida. «Não podiam os seus companheiros de «Orpheu», antes os seus irmãos, do mesmo sangue ideal da sua Beleza, não podiam, repito, deixá-lo aqui, na terra extrema, sem ao menos terem desfolhado, sobre a sua morte gentil, o lírio branco do seu silêncio e da sua dor. «Lastimamos o homem, que a morte nos rouba, e com ele a perda do prodígio do seu convívio e da graça da sua presença humana. Somente o homem, é duro dizê-lo, pois que ao seu espírito e ao seu poder criador, a esses deu-lhes o Destino uma estranha formosura, que não morre. O resto é com o génio de Fernando Pessoa.» A notícia tal como foi publicada no Diário de Notícias, de 3 de Dezembro de 1935
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal
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Todos os Direitos Reservados 11月17日
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Na noite
Nita Ferreira
Na noite eu procurei a lua cheia E o esplendor prateado do luar Vagueando no escuro sem candeia Na noite só o breu pude encontrar
Pois da lua mortiça de tristeza Outrora extasiante de beleza Vi correr lágrimas, desolação Toldando de cinzento a emoção
Mas laivos de uma luz quase finda Lampejos de fulgor eram ainda Mensageiros dum brilho sem igual
Lembrando ao meu peito fatigado Que o sol me espera enamorado Brilhante, incandescente, divinal



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11月14日
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Imersão Nita Ferreira
Hoje as tuas mãos imergiram mais fundo No mar de mim além de carne e pele. E é meu todo o prazer do mundo Macia lã, mais seda que burel.
Foram ondas, deleites, foram sismos Por líbidas colinas estivais. Horas por desoras, cataclismos Em dueto, sonatas nupciais.
Mesmo se a sombra cinza 'inda perdura Se agarra e se prende à minha cintura, Sou ave de fogo em voo planado.
E o roçagar da tua alma na minha, O teu colo, peito meu e escrivaninha São meu sopro energizante e renovado
Nita Ferreira | |
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Tatuagem Nita Ferreira
Alma que tocada transparente e nua Já sem teias nem peias de verdade Como a luz do sol no brilho da lua Cegos sem candeia presos na vontade
Rasgadas todas as flores de papel E tingido o pranto num novo luar É mais apurado o tenir do cinzel Na onda que esculpe os seios do mar
E não há veredas de mendicidade Só as tatuagens p'ra eternidade Da alma que só amar sabe e quer
Nem barco a remos, nau ou arrastão Ilude, volúvel, o amor que é Verão Na sensibilidade profunda do ser
Nita Ferreira
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11月9日

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Terraço de alma
Passando o sol pelo terraço da alma A aquecer cada claustro sombrio Há um clamor de tão dolente calma Beijos beijando as margens de um rio
Ai beijos que ainda maiores que a boca Incendiando fogueiras, vulcões No amor paixão em bebedeira louca Gotas de amor chovem aluviões
Esdrúxula é a força do sentir Num tropel de estrelas a refulgir Onde serpenteia a vida apressada
Nesse terraço onde a alma se estende Nada se compra, se rouba ou se vende Tudo é terra a palmo conquistada
Nita Ferreira
| | | | | | | | | | | | 11月2日
Feitiço
Quão poderoso feitiço (só agora dou por isso) me possuiu as entranhas quando teus braços e manhas me envolveram um dia Não podia adivinhar que eram cordas a amarrar minh' alma desta maneira e a fazer-me prisioneira desta imutável magia
Nita Ferreira 10月31日
Estão as bruxas a chegar
Estão as bruxas a chegar Rodopiam pelo ar Voam com agilidade Então é preciso usar A vassoura e voar Sobre o Jardim da Amizade
Calçar boa sapatilha Usar chapéu e mantilha E acelerar na lambreta Entre mortos e defuntos Nós vivos voando juntos Antes que soe a trombeta
E dar boa gargalhada Varrer da noite gelada Fantasmas e almas apenadas Redondinha e sem defeito Ou magricela sem jeito Zoam bruxas pelas nortadas
E calçando o sapatinho Muito bem apertadinho Correndo pra o caldeirão Vão mostrar a toda a gente Bruxa do bem é diferente Porque tem bom coração!
Nita Ferreira
Dia das Bruxas
D e noite ou em pleno dia I ndo pelos ares poluídos A nda viva a bruxaria
D e vassoura ou foguetão A bóbora ou caldeirão S obrevoam toda a terra
B ruxas, bruxos e adivinhos R odam bola de cristal U m remédio pr'a todo o mal X anax? Não é preciso A nda, dou-te o paraíso S ó por dinheiro... que tal?
Nita Ferreira
10月27日
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É no silêncio Nita Ferreira
É no silêncio que os meus sonhos voam alto e ardem vorazes em chamas de azul É no silêncio que a lua me acaricia me envolve em doce magia me sussurra mil segredos e me desabrocha em poema É no silêncio que o meu sentir se agiganta e a emoção se alevanta indefesa ao meu querer É no silêncio que a lua libidinosa mais as estrelas inquietas ardilam cumplicidades e no firmamento que é nosso clareiam campos em flor e almas ... ...ofegantes de ternura em florestas de amor É no silêncio…
Nita Ferreira

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10月24日

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Sempre
Sempre renasço de mim voo sobre as cinzas salto além dos escombros argamasso as ruínas e elevo a bandeira bem acima dos ombros. De destroços construo o castelo da minha vontade que algumas vezes sinto praça de sol, labirinto solar de concertos flores e braços abertos e forte inexpugnável. Mas sou somente eu estigma e gineceu mulher frágil e doce com a força do sempre nas veias a fervilhar seiva quente a correr e sol de vida e amor a derramar-se do olhar...
Nita Ferreira
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Sei-te a alma de cor
Sei-te a alma de cor No olhar, espelho que brilha Em cada promessa de amor E no coração que trilha Meu corpo e alma em furor
Sei-te a alma de cor Em cada um dos sentidos Em cada sol de Primavera E nos passos destemidos Que não são farsa nem espera
Sei-te a alma de cor E em cada erva daninha Tu vida e renovação E eu singela florzinha Florescida em fruto e pão
Sei-te a alma de cor No calor rubro do fogo No crepitar da fogueira Sei-te alma de cor Na minha... desta maneira
Nita Ferreira
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10月4日
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Sou o que sou
Sou o que sou Sou o que dou Dar é meu seio Abraçar meu meio Sou estrela Constelação Serenidade vulcão Assim... Antítese de mim Só de mim Sentimento momento Eternidade no tempo Seara a cultivar Lua nova a derramar Lua cheia a minguar Recriação só de vida E viagem perseguida Conseguida Doce canção de embalar Antítese e síntese Na conjugação de amar
Nita Ferreira | |
10月1日 1 de Outubro - Dia Mundial da Música

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Foi num dia de Setembro Nita Ferreira
Foi num dia de Setembro esse que ainda lembro que sol mais forte doirou
Tallvez para me alegrar minhas lágrimas secar por algo que então findou
Cor de fogo mais doirado parecia disfarçado no incandescente rubor
E a minha pele tocava pálida e a afagava numa carícia de amor
E quando caía lento o crepúsculo pardacento tristonho, bem devagar
Já meu coração partia peregrino em romaria p'ra calmaria do mar
Despontava então Setembro e pela dor que me lembro sei que o sol forte doirou
Ele queria suavizar a ferida que a sangrar na alma se enraizou
Nita Ferreira

Fue un dia de Septiembre Nita Ferreira
Fue un día de Septiembre ese que aún recuerdo el sol fuerte calentó
Quizás para alegrarme y mis lágrimas secar por algo que terminó
Color de fuego dorado más parecia disfrazado de su candente sonrojo
Entonces mi piel tocaba pálida... y la halagaba en una caricia de amor
Y cuando caía lento el crepúsculo placentero tristongo y muy despacio
Ya mi corazón partía peregrino en romería para la calma del mar
Y repuntaba Septiembre por el dolor que recuerdo el sol más fuerte doró
Él quería suavizar la herida que al sangrar en el alma se enraizó
Nita Ferreira |
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Vim trazer-te flores, amigo!
Vim trazer-te flores, amigo
Porque o és de verdade
E o teu peito é abrigo
Da recta autenticidade
Nunca será virtual
A alma que contra o vento
Distingue o bem do mal
Sem temer o virulento
Dentro em teu peito não mora
Conveniência ou cobardia
A justiça é tua hora
A coragem tua poesia
Porque a luz é o teu caminho
E o respeito é o teu lema
Tuas vestes são de linho
E a lama não é o teu tema
Tens a minha admiração
O meu respeito jucundo
E a minha convicção
Contigo há mais luz no mundo
Nita Ferreira |
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 | 9月18日
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Dor de Outono
Que a beleza do Outono nas folhas ao abandono leve de mim esta dor... e deixe minh' alma branca de alvura que entranha e estanca perene em mim a habitar ainda que o dissabor meu rosto em pálida cor venha este Outono pintar
Nita Ferreira |
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